Mostra internacional inédita leva artistas representativos da Street Art mundial para a Caixa Cultural em SP


O inglês Banksy, os franceses Jef Aerosol e Rero, os portugueses Vhils e ±MaisMenos, o brasileiro Nunca e a dupla italiana StenLex mostram

recorte significativo da história do grafite mundial. Arte que vem da rua e transita nas redes é pop e pode ser vista de graça na Caixa Cultural de São Paulo. Depois vai para o Rio e Brasília. Em destaque, a diversidade de técnica e estilos - estêncil, pôster, colagem, instalações, entre outras

 

Cidades têm sido coloridas há mais de 40 anos por artistas que usam a rua como canal de expressão, oferecendo ao público obras que permitem redescobrir o espaço urbano por meio da arte. Uma mostra coletiva inédita traz para o Brasil artistas representativos da Street Art da atualidade, com trabalhos de brasileiros e de representantes da Inglaterra, Itália, França e Portugal para traçar um panorama da Street Art no mundo.

 

Com curadoria da produtora portuguesa Leonor Viegas, a exposição Street Art - um Panorama Urbano fica em cartaz na Caixa Cultural de 22 de fevereiro a 20 de abril, com entrada gratuita. Depois de São Paulo, a mostra vai para o Rio de Janeiro (de 2/8 a 5/10) e Brasília (de 25/11 a 11/01/15).

 

O inglês Banksy, os franceses Jef Aerosol e Rero, os portugueses Vhils e ±MaisMenos, o brasileiro Nunca e a dupla StenLex, da Itália, utilizam as mais variadas técnicas - pintura, estêncil, colagem, mosaico, instalações, resina, carimbo, montagem e até esculturas.

 

A mostra traz uma peça inédita do inglês Banksy, cuja verdadeira identidade é desconhecida, mas suas ações explicitamente políticas chamam atenção do mundo, como pintar painéis irônicos no lado palestino do muro que separa a Cisjordânia de Israel. A obra EVERYDAY A FRESH LOAD OF COMPROMISE – 2006, peça única, foi gentilmente cedida por um colecionador. Além dela, mais um trabalho do artista estará na exposição.

 

Os artistas portugueses Vhils e ±MaisMenos e o brasileiro Nunca apresentam obras especialmente concebidas para a mostra. Já a dupla de italianos StenLex realiza uma obra in loco. “A ideia é que tenhamos peças inéditas desses artistas, alguns deles realizando trabalhos que reflitam o olhar deles para o Brasil. Acredito que a exposição poderá estabelecer um diálogo maior com o público,” explica Luiz Prado, o produtor do projeto.

 

Segundo a curadora Leonor Viegas, outro diferencial é que os artistas tiveram liberdade para trabalhar. “Diferente de uma exposição em galeria, onde muitas vezes o objetivo principal é a venda, estamos dentro de um museu, na Caixa Cultural, onde todos tiveram liberdade de expressão para criar. Existe uma transposição do espaço público para outro contexto onde todos se adaptam de diferentes formas.”

 

Após visitar a exposição Au – de là du Street Art (Para Além da Rua), realizada em 2012, no Musèe de La Poste, na França, Luiz Prado ficou impressionado com a reunião de grandes nomes da Street Art numa mostra coletiva. “No caso da França, havia um interesse maior em dar destaque à cena francesa. Eu queria fazer uma exposição mais cosmopolita, que pudesse mostrar esse panorama de arte no mundo. Convidei, então, a Leonor Viegas, produtora e curadora, natural de Portugal, para levantar o projeto. Ela tem grandes experiências com artistas e intervenções urbanas, principalmente em Portugal. Nossa ideia foi realmente traçar um panorama do Street Art no mundo, mostrando os artistas que têm uma intensa produtividade e que são referência neste universo”, explica.

 

A curadora dedicou atenção para a diversidade de técnicas e estilos. “Temos o Vhils, um artista jovem e que já tem sua arte espalhada pelo mundo, que usa a destruição para a criação da sua obra, uma técnica muito original. Artistas que utilizam o estêncil, caso do Jef Aerosol, um dos pioneiros da arte urbana no início dos anos 80 e uma referência para os artistas da nova geração, que, aos 57 anos, de idade continua em atividade.

 

Colagem, como a dupla StenLex; trabalho centrado na tipografia como o Rero; o estilo etnográfico do Nunca e que faz parte da história do grafite no Brasil ou ainda o ±MaisMenos, que utiliza inúmeros vídeos que se tornam virais para espalhar a sua mensagem. Todos eles tiram sua inspiração das ruas e da atual sociedade de consumo, oferecendo seus pontos de vista, bem diferentes de artista para artista”, explica Leonor Viegas.

 

A exposição, com os maiores representantes da Street Art na atualidade, pretende mostrar um recorte do movimento que acontece com força nos dias atuais. Para a curadora, um dos objetivos é “levantar a discussão do que é Street Art hoje e como o mercado do segmento está aquecido. As obras de arte desses artistas mantém seu fervor político, social e, ao mesmo tempo, são pop. Dialogam muito bem com o público, são extremamente divulgadas nas redes sociais. É uma arte que vem da rua e que transita na rede, é arte para ser vista e popularizada.”

 

Intervenção Urbana

Se no Brasil ainda há quem apague grafites, mundo afora há quem pague para ter as intervenções urbanas daqui. Nos últimos anos muitos artistas brasileiros têm deixado sua marca pelo mundo. Os museus e galerias atualmente buscam alguns desses artistas a pedido do público para ver um pouco mais do seu trabalho. É o caso de Nunca, que em 2005, junto com outros artistas, pintou uma das fachadas de um dos mais importantes museus do mundo, a Tate Modern, em Londres, e um castelo na Escócia. Em 2013, uma seleção de 11 artistas de rua brasileiros foi convidada para colorir os muros de Frankfurt, na Alemanha.

 

Em tempos digitais, a arte urbana dialoga com estas ferramentas permitindo que qualquer pessoa que esteja na rua veja ou até mesmo interaja com uma obra. Por meio das redes sociais e gadgets mobile (dispositivos eletrônicos portáteis) as obras ganham novo significado e rompem as fronteiras de localização. “Se alguns anos atrás era preciso estar nos grandes centros urbanos para que todos vissem o trabalho, a internet mudou bastante a realidade bastando para isso ter uma câmera digital e uma ligação à rede. Desta forma tornou se muito fácil chegar às massas e, somos nós, enquanto público, que definimos aquilo que será mais ou menos interessante, conforme a atenção dada no ambiente cibernético”, analisa Leonor Viegas.

 

A criatividade da Street Art, entre as décadas de 1940 e 1960, dá início a um movimento que, com o decorrer dos anos, vem promovendo uma saudável batalha entre estilos que torna a arte urbana cada vez mais rica. Muros, paredes e painéis do mundo todo passaram a ganhar cor com seus movimentos. Na década de 60, artistas americanos e europeus começaram a usar a rua como canal de expressão. Cidades como Paris, Londres, São Paulo e Miami tornaram-se referência na arte urbana. As intervenções urbanas ganharam forma em paredes de concreto ou tijolo, mas também em fachadas de vidro, tapumes de construções e carcaças de bondes do transporte público. 

 

A arte se expandiu para além dos muros, placas de metal, telas e fragmentos de pôsteres. As técnicas usadas pelos artistas são as mais ecléticas. Este contexto inspira, desafia e confirma o poder da arte urbana, que, mais do que arte, pode ser vista como um movimento social e retrata uma geração.

 

O grafite ganhou o mundo com as mensagens sociais, políticas e artísticas. A Street Art foi além da rua e chegou aos museus. Um indício de que a arte urbana está chegando ao mainstreen é o fato de que marcas globais estão adotando a linguagem como ferramenta e instrumento de comunicação de marketing.

 

No Brasil, a Street Art ganha cada vez mais espaço. A arte urbana, que é vista como um museu a céu aberto, muda a paisagem da cidade praticamente todos os dias com suas criações coloridas e complexas, que cobrem as paredes de casas, restaurantes, pontes, aquedutos e até mesmo arranha-céus de São Paulo. 

 

Durante muito tempo houve uma enorme marginalização deste movimento no Brasil, uma vez que o mesmo estava intimamente ligado ao movimento de protesto, da pichação com slogans políticos ou nomes de grupos escritos no topo de prédios desafiando a lei da gravidade em escaladas sem qualquer tipo de segurança.

 

A evolução do grafite começou nos anos 80. Os Gêmeos, Binho, Onesto, Speto e Jana Joana, entre outros, deram uma nova cor à cidade, criando um estilo bem colorido, divertido e, ao mesmo tempo, crítico da sociedade em que vivemos. Artistas como os Gêmeos já grafitaram murais nas principais capitais do mundo - os irmãos são os grafiteiros brasileiros mais conhecidos internacionalmente.

 

Os Artistas

Banksy (Inglaterra) - http://banksystreetart.tumblr.com/

Começou a carreira como um artista de grafite no começo de 1990, em Bristol, no Interior da Inglaterra. Sua verdadeira identidade é desconhecida, já sua arte é caracterizada por imagens impressionantes, muitas vezes combinadas com slogans. Seu trabalho mudou o olhar sobre a arte de rua. Com spray, faz críticas políticas, à sociedade e à guerra, mas sempre com um humor sombrio e irônico.

 

Além de seu trabalho bidimensional, Banksy é conhecido por sua obra de instalação. Uma das mais célebres contou com um elefante vivo pintado com um papel de parede padrão vitoriano, que gerou polêmica entre os ativistas dos direitos dos animais. O trabalho de Banksy na barreira da Cisjordânia, entre Israel e Palestina, recebeu significativa atenção da mídia em 2005. Ele também é conhecido pelo uso de material protegido por direitos autorais e subversão das imagens clássicas. Um exemplo disso é a versão de Banksy da famosa série de Nenúfares, de Monet, adaptado por Banksy onde aparece todo tipo de lixo e detritos flutuando na água.

 

Também se especializou em ações espetaculares, como na vez em que colocou um boneco vestido de prisioneiro de Guantánamo na Disneylândia. Com prováveis 40 anos, ele segue experimentando: é o diretor de Exit Through the Gift Shop ("Saída pela loja de presentes"), documentário sobre um francês que o persegue, indicado ao Oscar. 

 

 

Jef Aerosol (França)http://www.jefaerosol.com/

Jean-François Perroy, mais conhecido sob o pseudônimo de Jef Aerosol, nasceu em Nantes (França), em 1957. É um dos pioneiros do que hoje é chamado "arte urbana", e uma referência para os artistas de rua da nova geração.

 

Costuma pintar celebridades e ícones - como Elvis Presley, Gandhi, Lennon, Jimi Hendrix, Basquiat, Amalia Rodrigues e Bob Dylan -, mas uma parte muito significativa do seu trabalho é dedicado aos personagens anônimos, como, artistas de rua, transeuntes, mendigos, crianças, idosos e pessoas comuns. Pinta as silhuetas em tamanho natural, em tons de preto e branco, sempre enfatizadas com sua famosa e misteriosa seta vermelha, segunda assinatura do artista.

Em 2011, no Beaubourg (Museu de Arte Moderna de Paris), Jef fez sua maior estêncil de 350 m2, intitulado Chuuuttt. A construção da obra pode ser vista aqui - https://vimeo.com/25320795.

Nunca (Brasil) - https://www.facebook.com/nunca.art

Francisco Rodrigues da Silva, conhecido como Nunca é um dos mais importantes grafiteiros do Brasil. Utiliza a técnica do grafite para criar imagens que confrontam um Brasil urbano e moderno com seu passado nativista. Sua tag, Nunca, afirma sua determinação em não estar vinculado a restrições culturais ou psicológicas. O artista perdeu a conta do número de paredes que pintou. Em 2008, foi convidado para enfeitar a fachada da galeria Tate Modern, uma das mais importantes do mundo, que fica em Londres. Sua obra, O Drible foi feita especialmente para o Edição de Arte Impressa Oficial da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014. Ele retrata um jogo de futebol de rua.


Vhils – (Portugal) -  http://www.alexandrefarto.com/

Artista português Alexandre Farto, conhecido como Vhils, não cabe em um rótulo, ele cria em diferentes estilos. O artista desenvolve uma técnica de desconstrução para criar rostos, paisagens e mensagens que encantam o público. Publicidade de outdoors, gesso e materiais não convencionais - como ácido e água sanitária - são utilizados em sua criação. Ele mostra que ícones da sociedade de consumo podem ser sutilmente convertidos em objetos que sensibilizam a humanidade.

 

Nascido em Lisboa, em 1987, o sucesso veio em 2008, quando apresentou a série Scratching the Surface (Arranhando a Superfície) em festivais. Os trabalhos são feitos com martelo, cinzel e até explosivos, podendo ser estampados em muros, madeira e metal. Recentemente fez um importante trabalho em comunidades do Rio de Janeiro. Nas favelas do Morro da Providência e comunidade dos Tabajaras cravou os rostos dos moradores destas favelas, que haviam sido despejados das suas casas por conta de interesses imobiliários, dando voz e rosto a este problema.


±MaisMenos - (Portugal) - http://maismenos.net/

O artista português Miguel Januário estudou design gráfico, mas foi a experiência como grafiteiro que lhe deu uma nova perspectiva sobre como usar o espaço público. Responsável pelo projeto ±MaisMenos±, espalhou o símbolo ± pelas cidades, até que começou a despertar a atenção da mídia. Foi para a rua, anonimamente, perguntar às pessoas se tinham visto algumas das suas intervenções. Uns surpreendentes 70% diziam reconhecer o seu símbolo, apesar de não conseguirem explicar quem estaria na origem da manifestação.

 

O que começou como uma forma de questionar o papel dos designers na sociedade tornou-se um projeto de arte. Mesmo assim, mantém-se o fio condutor. A primeira criação que vendeu foi uma caixa de Tamiflu emoldurada, com preço de obra de arte. Uma das criações mais emblemáticas do artista foi o Enterro de Portugal. Um caixão com a forma do país, exposto em 2012, em Guimarães, reuniu mais de cem pessoas num cortejo fúnebre.

 

StenLex – (Itália) - http://stenlex.net/

Stan (de Roma) e Lex (de Taranto), ambos nasceram em 1982 e trabalham juntos desde 2000.  Pioneiros em seu uso de estêncil, na Itália, a dupla investe nas ruas de Roma desde 2001. Eles obtiveram rapidamente fama internacional graças aos  impressionantes retratos de pessoas anônimas colados nas cidades de todo o mundo. Sua arte é feita de milhares de tiras de papel, que compõem retratos de pessoas que os artistas fotografam, encontrados entre os álbuns de família ou que são apenas pessoas anônimas.

 

Em 2008, participaram do Festival Cans organizada por Banksy, com mais 39 artistas de todo o mundo. Eles exibiram suas obras em um túnel abandonado perto de Leake Street, no sudeste de Londres. Em 2010, começaram a produzir o que eles chamam de "Stencil Poster". A técnica deriva da união de duas das principais técnicas de arte de rua, o estêncil e o pôster.

 

Rero (França) - www.reroart.com

Nascido em 1983, Rero já expôs em muitas instituições públicas, como o Centro Georges Pompidou, o Musée en Herbe, o Musée de la Poste, Confluências em Paris ou a Antje Øklesund, Berlim. Mais recentemente seu trabalho tem recebido inúmeras exposições na França, Estados Unidos, Itália, Alemanha e Suíça.

 

Sua técnica transita entre a arte urbana e arte conceitual. Rero questiona o contexto da arte, bem como os códigos que governam imagens e propriedade intelectual com uma sigla que surge regularmente em suas peças: WYSIWYG (What You See Is What You Get - O Que Você Vê é o Que Obtém).

 

Serviço:

Exposição Street Art - um Panorama Urbano

Abertura: 22 de Fevereiro de 2014, às 11h.

Visitação: De 22 de Fevereiro a 20 de abril de 2014.

Horário: De terça a Domingo das 9h às 19h.

Lançamento de catálogo: 15 de março de 2014, às 11h

Local: CAIXA Cultural São Paulo – Praça da Sé, 111 - Centro - São Paulo

Informações: (11) 3321-4400

Entrada Franca

Recomendação Etária: Livre

Acesso para pessoas com deficiência

Patrocínio: Caixa Econômica Federal

 

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